quarta-feira, 22 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Ano
da Misericórdia
A
Espiritualidade e a Misericórdia
Vivendo o ano jubilar
da misericórdia a Igreja nos motiva a aprofundar a espiritualidade da
misericórdia. É o convite incessante a sermos “misericordiosos como o Pai” (Lc
6,36). Em um mundo marcado por tantos sofrimentos, extremismos, intolerâncias e
fundamentalismos, o que significa viver a espiritualidade da misericórdia?
A espiritualidade é
mais que oração ou qualquer prática devocional. É possível orar muito e não
viver uma espiritualidade genuína. A espiritualidade tem a ver com as nossas
motivações mais profundas, ideais, utopias, sonhos. Nesse sentido, todos vivem de
certa espiritualidade. A espiritualidade do mundo capitalista é o consumo, o
poder e o dinheiro. Por outro lado, a espiritualidade cristã é o seguimento de
Jesus, segundo o seu espírito. Sua fé, suas opções, suas atitudes, seu destino
são os nossos! Ser cristão é viver do Espírito de Jesus, que veio para servir e
não para ser servido (Mc 10,45), que veio ao mundo não para condená-lo, mas
para salvá-lo (Jo 3,17)
Viver a espiritualidade
da misericórdia significa colocar-se no caminho de Jesus, reconhecidos de que
ele nos olhou e escolheu com misericórdia. Que somos também necessitados do
perdão restaurador de Deus. Colocando-se como discípulos dele, convocados a
praticar a misericórdia e oferecer o perdão. Sem dúvida, entre os nossos
maiores desafios está vencer o consumismo e a indiferença presentes também em
nós cristãos. Há espiritualidades que se dizem cristãs, mas não passam de mero consolo
egoísta.
Há milhões de pobres,
excluídos, injustiçados, descartados, doentes, sem teto, terra e trabalho.
Viver a espiritualidade da misericórdia começa com abrirmos os olhos a essas
realidades, por vezes tão perto nós, geograficamente, mas distantes pela nossa indiferença.
“Vinde benditos de meu Pai, porque estive com fome e me destes de comer” (Mt
25,35), disse Jesus. A misericórdia que tivermos para com os últimos será o
critério para o nosso encontro definitivo com Deus.
Pe.
Márcio Martins Rosa
Paróquia Cristo
Redentor – Caçador/SC
terça-feira, 10 de maio de 2016
Interação
entre Liturgia e Catequese: uma aproximação necessária
Edson De Bortoli[1]
Ao se fazer uma
avaliação da realidade pastoral presente, percebe-se que, infelizmente, ainda
insiste-se em manter, em lado opostos, a catequese, com tarefa estrita de
doutrinação, e a liturgia, unicamente vista como ato de culto. Enquanto a
primeira se limita na preocupação com os aspectos pedagógicos, a segunda se
detém nos aspectos celebrativos. As duas permanecem sem unidade de fundo. A
distância entre elas aparece como uma das principais causas da não continuação
da vida comunitária eclesial das pessoas após sua recepção dos sacramentos.
Deste modo, um dos grandes desafios do processo de iniciação à vida cristã
consiste em romper a grande muralha que há entre a catequese e a liturgia. Se
catequese significa fazer ressoar a mensagem, é importante que ela seja um
lugar para o indivíduo tornar-se ouvinte da Palavra, isto é, que ela seja
marcada pela densidade litúrgica e celebrativa. (Cf. REINERT, 2015, p.86-87).
Como afirma Reinert (2015, p.87), “investir em uma iniciação cristã
litúrgico-sacramental que relacione anúncio, formação, celebração e vivência da
fé é um caminho necessário para superar uma compreensão catequética concebida
unicamente como doutrina, e a liturgia como apêndice à educação da fé”.
A liturgia é dotada de
forte teor catequético, enquanto a catequese conduz e educa para a vida
litúrgica. Como lembra o Diretório Nacional de Catequese: “a liturgia é fonte
inesgotável da catequese, não só pela riqueza de seu conteúdo, mas pela sua
natureza de síntese e cume da vida cristã: enquanto celebração ela é ao mesmo
tempo anúncio e vivência dos mistérios salvíficos; contém, em forma expressiva
e unitária, a globalidade da mensagem cristã. Por isso ela é considerada lugar
privilegiado de educação da fé.” (DNC, 118).
Conforme a Constituição
Sacrosanctum Concilium, “a Liturgia é
o cimo para o qual se dirige a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte donde
emana toda a sua força” (SC, 10). Se esta afirmação for aceita como verdadeira
e para a caminhada pastoral, então um processo catequético que não se aproxima
da vida litúrgica perde sua razão de ser, além de fazer com que os sacramentos
se transformem em simples ritualismos individualistas, sem nenhum sentido real
para aquele que os recebe. (Cf. REINERT, p.87).
A proposta da
metodologia catecumenal considera a iniciação á vida cristã como uma intensa
celebração, intercalada por momentos celebrativos e rituais, que tem seu ápice
na recepção dos sacramentos da iniciação à vida cristã, na noite da Vigília
Pascal. Isso evidencia o potencial catequético da liturgia, que é um caminho
que conduz o catecúmeno na linguagem dos símbolos e ritos litúrgicos. Por isso,
ambas são importantes, pois se ajudam mutuamente na missão de introduzir o
catecúmeno no Mistério Pascal. (Cf. REINERT, 2015, p.88).
A vivência de uma autêntica
espiritualidade litúrgica é um modo de se viver constantemente a graça
sacramental da iniciação cristã, renovada em cada celebração eucarística e
celebrada o longo do ano litúrgico. Gera uma forma própria de ser cristão
inserido no mundo, pois ela vai aos poucos forjando uma identidade cristã.
Portanto, ela possibilita ao batizado a vivência de um contínuo estado de
iniciação à fé. (Cf. LELO, 2005, p.129-131).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONCÍLIO VATICANO II, 1962-1965,
Vaticano. Constituição Sacrosanctum Concilium.
In: COSTA, L. (Org.). Documentos do
Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). 1.ed. São Paulo: Paulus, 1997,
p.33-86.
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO
BRASIL. Diretório Nacional de Catequese.
Brasília: Edições CNBB, 2006.
LELO, A. F. A iniciação cristã: catecumenato, dinâmica sacramental e
testemunho. São Paulo: Paulinas, 2005. (Coleção água e espírito).
REINERT, J. F. Paróquia e iniciação cristã: a interdependência entre renovação
paroquial e mistagogia catecumenal. São Paulo: Paulus, 2015. (Coleção
catequese).
terça-feira, 22 de março de 2016
Celebração Penitencial
Canto: Eis o tempo de conversão.
Presidente: Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amém
Presidente: A graça de Nosso Senhor Jesus
Cristo que nos ensinou as bem-aventuranças esteja convosco.
Todos: Bendito seja Deus, que nos
reuniu no amor de Cristo.
Presidente: Irmãos: As bem-aventuranças que
Jesus Cristo ensinou aos seus discípulos são o caminho da santidade. Quem segue
por ele possuirá o Céu como herança. Mas o pecado leva-nos, muitas vezes, a seguir
outros rumos, e fecha-nos o coração a essas palavras.
Oremos, pedindo a Deus a graça de as
escutarmos com fé e de vivermos segundo o exemplo do seu Filho. (Todos oram em silêncio durante algum tempo)
Abri, Senhor, os nossos corações
para escutarmos hoje a vossa voz, de modo que, aceitando o Evangelho do vosso
Filho, mereçamos, pela sua morte e ressurreição, caminhar numa vida nova. Por
Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do
Espírito Santo.
Todos: Amém
Presidente: Esta celebração penitencial tem
no centro o Evangelho das bem-aventuranças. Quem o praticar, receberá o reino
dos Céus como herança. Dado, porém, que todos somos pecadores, precisamos de
buscar em Deus, que é fiel e justo, o espírito de penitência a que nos exorta a
primeira leitura que escutamos de seguida. Se dissermos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos.
Leitura da Primeira
Carta de São João. 1 Jo 1, 5-9
Salmo 145:
Refrão: Felizes os pobres que o são no seu íntimo,
porque é deles o reino dos Céus.
1- Feliz o que tem por auxílio o
Deus de Jacob,
o que põe sua confiança no Senhor, seu Deus,
que fez o céu e a terra,
o mar e quanto neles existe.
2-
Eternamente
fiel à sua palavra,
faz justiça aos oprimidos
e dá pão aos que têm fome.
O Senhor dá liberdade aos
cativos.
3-
O
Senhor dá vista aos cegos,
o Senhor levanta os abatidos.
O Senhor ama os justos,
o Senhor protege os peregrinos.
4-
Ampara
o órfão e a viúva,
e entrava o caminho aos
pecadores.
O Senhor reina eternamente.
Sião, o teu Deus é rei por todas
as gerações.
Aclamação: Eu vim para escutar
Evangelho de Nosso Senhor Jesus
Cristo segundo São Mateus. Mt 5, 1-10
Partilha da Palavra
Presidente: Irmãos: Jesus Cristo deixou-nos
o exemplo para que sigamos os seus passos. Dirijamos-lhe a nossa oração com
toda a humildade e confiança, para que purifique os nossos corações e nos
conceda a graça de vivermos sempre em conformidade com o seu Evangelho:
R: Cordeiro de Deus, que tirais o
pecado do mundo, tende piedade de nós.
1)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque
deles é o reino dos Céus»; mas nós andamos demasiado preocupados com as
riquezas, e procuramo-las até por meios injustos. R.
2)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os que choram, porque serão
consolados»; mas nós suportamos com impaciência as nossas aflições, e
preocupamo-nos pouco com os nossos irmãos que sofrem.
3)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a
terra»; mas nós somos violentos uns contra os outros, e o nosso mundo está
cheio de discórdias e de guerras.
4)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os que têm fome e sede de
justiça, porque serão saciados»; mas nós sentimos pouca sede de Vós, que sois a
fonte de toda a santidade, e vivemos descuidados no que se refere à justiça
tanto particular como pública.
5)
Senhor Jesus Cristo, Vós dissestes:
«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia»; mas nós
não queremos perdoar aos irmãos, e julgamos com severidade o nosso próximo.
6)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão
a Deus»; mas nós somos escravos dos desejos dos sentidos, e não somos capazes
de levantar os olhos para Vós.
7)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque
serão chamados filhos de Deus»; mas nós não sabemos fazer a paz nas nossas
famílias, nem na sociedade, nem na vida dos povos.
8)
Senhor
Jesus Cristo, Vós dissestes: «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por
amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus»; mas nós praticamos antes a
injustiça, em vez de sofrermos de bom grado pela justiça, e cometemos
discriminações, opressões e perseguições contra os nossos irmãos.
Pai- Nosso
Canto: A ti meu Deus
Presidente: Senhor Jesus Cristo, manso e
humilde coração, misericordioso, pacífico e pobre, que morrestes pela justiça e
que pela cruz chegastes à glória, para nos mostrar o caminho da salvação,
concedei-nos a graça de aceitarmos com alegria o Evangelho e de vivermos
segundo o vosso exemplo, como herdeiros e participantes convosco no reino dos
Céus. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
Todos: Amém.
Ritos de Conclusão
O
Senhor esteja convosco.
Todos: Ele está no meio de nós.
O
ministro abençoa os fiéis, dizendo:
Abençoe-vos
Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. Todos: Amém.
Presidente: Ide em paz e o Senhor vos
acompanhe.
Todos: Graças a Deus. Ou outra fórmula
apropriada.
Hino da CFE-2016
01 – Eis,
ó meu povo o tempo favorável da conversão que te faz mais feliz; da construção
de um mundo sustentável, “Casa Comum” é teu Senhor quem diz:
Refrão: Quero
ver, como fonte o direito a brotar, a gestar tempo novo: e a justiça, qual rio
em seu leito, dar mais vida pra vida do povo.
02 – Eu
te carrego sobre as minhas asas, te fiz a terra com mãos de ternura;
vem,
povo meu, cuidar da nossa casa! Eu sonho verde, o ar, a água pura.
Adaptado do Ritual de Penitência.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Av.
Santa Catarina, 228 – Caixa Postal 227 – 89500-000
CAÇADOR/SC
– Fone (49) 3563 2045/ 99370583
Caçador, 10 de
fevereiro de 2016.
“Ser
discípulo é um dom destinado a crescer. A iniciação à vida cristã dá a
possibilidade de uma aprendizagem gradual no conhecimento, no amor e no
seguimento de Cristo. Uma comunidade que assume a iniciação à vida cristã
renova sua vida comunitária e desperta o caráter missionário”. DAp 291
Estimados
Sacerdotes e Coordenadores Paroquias de Catequese
A
Iniciação à Vida Cristã, fundamentada na Palavra de Deus, concentra o Mistério
Pascal (paixão, morte e ressurreição), anunciando que o Filho de Deus se encarnou,
viveu entre os homens e mulheres de seu tempo, anunciou o Reino do Pai e para
lá retornou, prometendo vida eterna para todos. Este mistério de amor anunciado
e vivido por Jesus é o centro da nossa vida cristã.
Temos
a alegria de lembrá-los do Encontro das Coordenações Diocesana de Catequese,
conforme nossa agenda pastoral.
|
Data:
27 e 28 de fevereiro
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Início:
8h30 (sábado)
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Término:
13h (domingo)
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Local:
Centro de Formação João Paulo II- Castelhano - Caçador
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Tema: Apresentação e Estudo do
Novo Projeto Diocesano de Catequese
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Participantes:
5 pessoas da coordenação paroquial
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Investimento:
R$ 105,00
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OBS:
Favor confirmar o número de participantes até dia 24 de fevereiro, junto a
coordenação. Trazer roupa de cama e banho e material de uso pessoal.
Na sexta-feira dia 26 de fevereiro
faremos a Reunião da Coordenação Diocesana de Animação Bíblico-Catequética, no
Castelhano, com início às 19 h.
Serviços:
Acolhida/
Ambiente/ Oração: Micro
de Caçador.
Animação: João Soares.
Desde
já agradecemos a colaboração e participação!
Fraternalmente!
Regiane D.
Freire
Pela Equipe de
Animação Bíblico-Catequética
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Casa comum, nossa responsabilidade
O Texto Base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, do Conselho Nacional de
Igrejas Cristãs, a partir da fé em Jesus Cristo, propõe uma reflexão sobre a
realidade do saneamento básico no Brasil e pistas de ação na perspectiva de
propor e garantir políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a
integridade e o futuro de nossa Casa Comum. Acompanhe uma síntese da primeira
parte do Texto Base, onde aparece um Olhar para a Realidade (VER).
A
reflexão parte do princípio de que Deus nos deu a terra, sistema vivo, rico em
diversidade e complexo, do qual, nós, seres humanos, tiramos os meios
necessários para nossa vida e somos responsáveis pelo cuidado e continuidade da
vida desse mesmo sistema. O momento presente é preocupante. Grandes projetos
econômicos estão ameaçando a vida desse sistema, dessa Casa Comum. A fé cristã
nos leva a defender a vida dessa Casa comum, em toda a sua diversidade, e a construir
um mundo mais justo e solidário.
Todos
os seres humanos têm o direito de verem satisfeitas suas necessidades básicas.
O saneamento básico é um desses direitos. Ter saneamento básico significa ter
melhor qualidade de vida e saúde. Esse direito envolve o abastecimento de água
potável, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos
sólidos, a drenagem e o manejo das águas pluviais urbanas e, também, políticas
públicas de habitação, proteção ambiental, erradicação da fome e da pobreza, desenvolvimento
social e humano, entre outros. Esses serviços são essenciais à vida de todos os
seres humanos e é dever do Estado, todavia, para uma parcela significativa da
população esses direitos, desde longa data, foram negados.
No
Brasil, as décadas de 1980 e 1990 foram consideradas “décadas perdidas” do
ponto de vista do saneamento básico, por não terem sido feitos os investimentos
mínimos necessários. Nos últimos anos houve melhorias significativas nos
serviços públicos de saneamento básico, porém, pesquisas realizadas em 2013,
demonstram que 18% da população ainda não tem acesso à água tratada e metade da
população não tem acesso à coleta de esgoto. A falta de tratamento de esgoto e
de água potável tem causado doenças diversas como diarreia, cólera, hepatite,
febre tifóide, entre outras, e tem levado à morte, em média, 570 pessoas, na
grande maioria crianças, todos os dias.
Os
produtos líquidos não tratados e os resíduos gasosos industriais, quando
lançados na natureza, podem comprometer gravemente a saúde pública. O efeito
estufa, a destruição da camada de ozônio e as chuvas ácidas estão causando
doenças diversas como asma, enfisema, doenças pulmonares, câncer, entre outras.
Para que aconteça no Brasil um desenvolvimento sustentável, é preciso um
planejamento capaz de aliar avanço tecnológico com proteção e segurança
ambiental. Os sistemas de tratamento, a reciclagem dos resíduos sólidos, a
coleta seletiva do lixo, a busca de redução da produção de lixo e o reuso de
água aparecem atualmente como procedimentos promissores.
A
situação é ainda mais precária no meio rural, pois neste meio são bem mais
altos os índices de pobreza extrema, de falta de canalização e tratamento de
água, de consumo de água contaminada, de falta de coleta de resíduos sólidos,
entre outros. A construção de moradias e
de cisternas de captação de água da chuva são exemplos de pequenos avanços e
conquistas populares da agricultura familiar camponesa.
Vale
ainda ressaltar o aspecto da desigualdade no acesso aos direitos relacionados
ao saneamento básico, bem como de outros serviços públicos como água, energia
elétrica, moradia, transporte e saúde, entre outros. Os mais pobres, os que
vivem nas periferias das cidades, os que vivem em regiões mais distantes dos
grandes centros urbanos, os indígenas, os afrodescendentes, as crianças, os que
vivem em acampamentos rurais ou ocupações urbanas são os que mais sofrem pela
ausência ou pela falta de políticas e serviços públicos. Todavia, de acordo com
as premissas internacionais dos direitos humanos, privar grupos de pessoas de
serviços básicos, fundamentais à vida, constitui crime e agressão à humanidade.
Todas
as pessoas são responsáveis e devem colaborar para a defesa da saúde e a
melhoria da qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente. Manter a casa
sempre limpa, não deixar o esgoto a céu aberto, ter água encanada e de boa
qualidade, cuidar das nascentes de água e evitar contaminar as águas com
produtos poluentes e químicos, diminuir e reciclar o lixo produzido são
exemplos dessa responsabilidade comum.
Os
governantes têm a obrigação de melhorar a legislação e garantir a sua aplicação
cuidando da conservação dos reservatórios de água, de uma rede eficiente de
distribuição a todos, oferecendo serviços de saneamento e de proteção do meio
ambiente, no objetivo de proporcionar uma saúde pública da melhor qualidade
possível. Cada município deve elaborar o seu Plano Municipal de Saneamento
Básico, de forma participativa, envolvendo assim toda a população local. Este
Plano deve ser revisto e atualizado a cada quatro anos, até que todos tenham
uma vida saudável.
Saneamento básico em Santa Catarina
Por mais que Santa Catarina se encontra entre os
três melhores índices nacionais de distribuição de renda e riqueza, de
expectativa de vida e também de Desenvolvimento Humano (IDH), na questão da
rede e tratamento de esgoto sanitário está entre os piores índices do Brasil.
Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
(Abes), Santa Catarina está em 19º lugar, na frente apenas do Piauí (Fonte:
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 2011). Já o Instituto Trata
Brasil, com dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS) de
2012, divulgou que o Estado tem o décimo pior tratamento de esgoto do país.
De acordo com o levantamento, apenas 12% da
população urbana tem san
eamento adequado. Dos 293 municípios de Santa Catarina,
apenas 30 têm rede coletora e tratamento de esgoto.
Ao que parece os governantes ainda não se deram
conta do que consta na avaliação do próprio Instituto Trata Brasil de que “em
cada R$ 1,00 investido em saneamento se tem uma economia de R$ 4,00 em gastos
com saúde”. Participemos da caminhada dos grupos de reflexão e dos encontros de
catequese para refletirmos mais profundamente sobre esta realidade à luz da
palavra de Deus e, então, assumirmos compromissos na defesa de melhor qualidade
de vida para todos.
Pe.
Dr. Gilberto Tomazi
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Ano da Misericórdia
No próximo dia 08 de dezembro a Igreja iniciará o ano da
misericórdia. Trata-se de um ano jubilar convocado pelo Papa Francisco para
convidar todos os cristãos a fixarem o olhar na misericórdia de Deus que nos
envolve, para nos tornarmos também “misericordiosos como o Pai” (Lc 6,36) e
sermos um sinal mais eficaz do seu agir no mundo.
Contemplar a misericórdia de Deus é fonte de alegria,
serenidade e paz, diz o Santo Padre. Que bela recordação ele nos trouxe! Parece
que por muito tempo acostumamo-nos a contemplar Deus mais como um justo juiz,
que como um Pai rico em misericórdia. Infelizmente, muitas vezes a fé foi
vivida como fonte de culpas, critério para julgamento e distinção de pessoas,
deixando de lado o seu conteúdo essencial: a misericórdia de Deus que vem ao
nosso encontro.
Agora somos convidados a olhar para o Senhor a partir da sua
misericórdia. Essa expressão é a síntese do seu agir no mundo com suas
criaturas. Em Jesus Cristo, Deus manifestou um “rosto de misericórdia”, ao qual
podemos reconhecer, comtemplar e servir. Misericórdia não é uma palavra
abstrata, mas é para nós uma pessoa – Jesus Cristo, e nele todos os seres
humanos, especialmente os pobres e desvalidos. O cristão não vive do encontro
com uma ideia, teoria ou mesmo doutrinas, mas do encontro com o rosto da
misericórdia, Jesus Cristo, que lhe dá rumo e sentido definitivos, como já nos
lembrava o papa Bento XVI.
Vivamos, pois, este ano da misericórdia na perspectiva do
“encontro com Jesus Cristo”, o rosto da misericórdia. Dediquemos nosso tempo,
nossos esforços para renovar esse encontro fundamental da nossa vida de fé. Ele nos ajudará a ter os mesmos sentimentos
de Jesus Cristo e a sermos misericordiosos como o Pai do céu. Nas próximas
edições olharemos para as expressões do ano da misericórdia na nossa
espiritualidade pessoal e as suas incidências para a vida da Igreja! Até lá!
Pe. Márcio Martins Rosa
Paróquia Cristo Redentor – Caçador/SC
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